Coluna da Marcelis

Seu melhor anúncio pode estar vendendo só o seu tempo

42% dos donos de microempresas temem não ter quem faça o seu trabalho. Quando o anúncio vende as suas mãos, cada venda nova prende você na operação.

Por Marcelis Pereira · 20 de outubro de 2026 · 3 min de leitura

Numa mentoria desta semana, a equipe de anúncios mostrou com orgulho o criativo campeão: mais cliques, lead mais barato, o melhor desempenho do mês. Quando cruzamos com a agenda, a história mudou. Pouca gente daquele anúncio marcou horário, e quem chegava era um público diferente do que compra. E havia um segundo problema, mais silencioso: o vídeo mostrava o próprio dono atendendo.

Quando o anúncio vende o dono, cada venda nova ocupa mais uma hora da agenda dele. A campanha dá certo e o faturamento só cresce se ele trabalhar mais. É assim que a empresa cresce no fôlego do dono até sufocar quem está no comando.

42%
dos donos de microempresas se preocupam em ter alguém que possa fazer o seu trabalho enquanto estão de férias
Sebrae-SP, pesquisa O empreendedor e as férias, 1,2 mil donos de micro e pequenas empresas com CNPJ, coleta de abril a maio de 2024, divulgada pela Agência Sebrae em julho de 2024

A pesquisa fala de férias, mas a pergunta por trás dela vale para qualquer dia útil: quem faz o seu trabalho quando você não está? Se o seu marketing vende justamente o que só você faz, ele aumenta essa dependência a cada mês que funciona.

Quando o anúncio vende as suas mãos

Isso acontece muito com quem vende o próprio trabalho: área da saúde, estética, beleza, serviços profissionais. Usar o rosto e as mãos do dono no anúncio funciona, porque gera confiança. Funciona até a agenda dele lotar. Naquela mentoria, a decisão foi separar as coisas. O dono continua aparecendo no serviço que é dele, que carrega o nome e o posicionamento. Para os outros serviços, o anúncio passa a mostrar outra profissional da equipe atendendo, porque a meta combinada é aumentar a parte da receita que não depende do esforço dele.

Os números que mostram se você está preso

  • Quanto da receita do mês veio de serviços que outra pessoa entrega. Se esse número não sobe, a empresa só cresce com mais horas suas.
  • Quantos leads de cada anúncio viram agendamento, e quantos agendamentos viram venda. Lead barato que não marca horário é custo, por mais bonito que o painel de anúncios mostre.
  • Quem o anúncio atrai comparado a quem compra. Um criativo pode trazer muita gente que nunca seria cliente.
  • De onde veio cada contato, registrado num sistema só e de forma automática. Quando o cadastro depende de alguém digitar, entra só quem conversou, e o resto some da conta.
Antes de colocar mais dinheiro no anúncio que funciona, pergunte quem vai atender a venda que ele trouxer.

O ar volta quando a venda não depende das suas mãos

Um exercício simples para esta semana: divida o que você vende em dois grupos, o que só você entrega e o que a equipe já consegue entregar bem. Olhe quanto cada grupo representa na receita do último trimestre e quanto do seu investimento em anúncio foi para cada um. Na maioria das empresas que acompanho, o segundo grupo recebe menos atenção do que merece, justamente porque o primeiro dá resultado rápido.

O ar não volta trabalhando mais. Volta quando a empresa aprende a vender o que funciona sem você na maca, no balcão ou na reunião. Empresa é feita de dados, e é neles que estão as decisões que fazem o negócio crescer sem depender de você. Se quiser descobrir quanto da sua receita ainda depende só das suas mãos, o Diagnóstico MARES começa por essa conta. Fale comigo em maresconsultoria.com.br.

De onde veio o dado

Sebrae-SP, pesquisa O empreendedor e as férias, via Agência Sebrae de Notícias

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O próximo passo

Dado bom não muda empresa. Decisão muda.

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