Coluna da Marcelis

O resultado caiu. Quem a sua reunião vai culpar?

Quando o número cai e várias coisas mudaram ao mesmo tempo, a reunião procura culpado e a decisão volta para o dono. O que pedir antes de apontar o dedo.

Por Marcelis Pereira · 4 de novembro de 2026 · 3 min de leitura

Na semana passada eu estive numa reunião em que o principal resultado do mês tinha despencado. Em vez de olhar o número, a mesa começou a procurar culpado. Um dizia que o problema era quem apresentava. Outro, que era o canal. Outro, que era o dia da semana. Cada hipótese chegava com muita convicção e nenhuma chegava com comparação.

E quando ninguém consegue provar nada, a decisão sobe para quem? Para o dono. A empresa cresceu, montou time, tem gente cuidando de cada área, e mesmo assim o desempate volta para a sua mesa. Tudo passa por você de novo, agora disfarçado de discussão técnica.

Quatro coisas mudaram, e todo mundo procura uma

Quando sentamos para olhar com calma, a queda não tinha um culpado só. Na mesma janela de tempo, a verba tinha diminuído, o objetivo da ação tinha mudado de vender para atrair gente nova, a divulgação começou com bem menos antecedência do que antes e a mistura entre público novo e clientes da casa virou de cabeça para baixo. Quatro alavancas mexidas ao mesmo tempo. Quem escolhe uma delas para culpar acerta um pedaço da história e erra o resto.

54%
dos líderes que precisam buscar e interpretar dados por conta própria não confiam totalmente na própria capacidade de fazer isso
Salesforce, pesquisa Trust in Business Data, 552 tomadores de decisão de empresas com 500 ou mais funcionários nos Estados Unidos, março de 2025

Esse número explica muita reunião. Se metade de quem decide não se sente seguro para ler o dado sozinho, o espaço vazio é ocupado pela opinião. E na briga de opiniões ganha quem fala mais alto, quem tem mais tempo de casa ou quem está mais cansado de discutir. Nenhum desses critérios tem a ver com a causa da queda.

O que eu peço antes de qualquer culpado

  • Coloque os meses lado a lado, indicador por indicador. Audiência, conversão, custo, ticket. Sem essa tabela, a conversa fica no campo da impressão.
  • Liste tudo o que mudou no período. Verba, prazo, público, oferta, pessoa, canal. Escreva antes de discutir, porque na hora da discussão cada um lembra só da mudança que confirma a própria tese.
  • Quem traz a hipótese traz o número. Combine isso com o time: suspeita sem comparação pode ser dita, mas não entra na pauta de decisão.
  • No próximo teste, mude uma coisa de cada vez. Se você mexer em tudo de novo, no mês que vem vai estar na mesma reunião, procurando o mesmo culpado.
  • Antes de apostar grande, compre uma resposta barata. Uma lista de espera, um encontro de valor simbólico, a mesma peça publicada em dois formatos. Testar pequeno custa pouco e mostra se o público responde antes de você colocar o ano em jogo.

Esse último ponto apareceu em mais de uma conversa da semana. Em todas, a lógica era a mesma: decidir depois de medir, e não antes. Parece mais lento, mas é o que impede a empresa de trocar uma queda por outra.

Antes de discutir quem errou, compare o que mudou.

Um exercício para esta semana: pegue o número que mais preocupou você no último mês e faça duas listas. Na primeira, como ele estava nos três meses anteriores. Na segunda, tudo o que mudou nesse tempo. Se o time conseguir montar essas duas listas sem você, a próxima queda vai ser resolvida sem subir até a sua mesa. Se quiser olhar isso junto comigo, me chama no direct.

De onde veio o dado

Salesforce, pesquisa Trust in Business Data, 552 tomadores de decisão nos Estados Unidos, campo de 12 a 21 de março de 2025, divulgada em abril de 2025

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