Análise de Mercado

CBS de 11,3% em 2027: o que muda na margem da sua empresa

O TCU aprovou a alíquota de referência da CBS para 2027. O efeito muda por regime, e quem planejar só pelo faturamento vai ver a margem encolher.

Por Marcelis Pereira · 29 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

Nesta quarta-feira, 28 de outubro, o plenário do Tribunal de Contas da União aprovou por unanimidade a alíquota de referência da CBS para 2027. É o número que faltava para a maioria das empresas fechar o planejamento do ano que vem, e ele chegou a pouco mais de dois meses da virada.

11,3%
é a alíquota de referência da CBS para 2027, o tributo federal que substitui PIS e Cofins a partir de 1º de janeiro
TCU, acórdão do plenário de 28/10/2026 (TC 006.529/2026-7). Valor calculado: 11,3468%, a partir da arrecadação de PIS, Cofins, IPI e IOF-Seguros entre 2012 e 2021, em proporção do PIB

O cálculo agora vai para o Senado, que tem até 15 de dezembro para confirmar a alíquota por resolução. Se o Senado não votar no prazo, vale o número do TCU. Junto com a CBS, o IPI vai a zero para a maior parte dos produtos, com exceções ligadas à Zona Franca de Manaus. O ICMS e o ISS seguem em 2027 e só começam a sair a partir de 2029, com a entrada gradual do IBS.

Segundo o TCU, a CBS foi calibrada para arrecadar o mesmo que os tributos que ela substitui. Isso vale para o país somado. Dentro de cada empresa a conta muda bastante, e muda conforme o regime em que ela está, o que ela compra e para quem ela vende. É aí que mora o risco para quem planeja 2027 olhando só para o faturamento.

O que muda para cada tipo de empresa

Comparativo
PIS e Cofins hoje e CBS em 2027, por regime
RegimeHojeEm 2027Onde pesa na margem
Lucro RealPIS e Cofins não cumulativos, 9,25%, com crédito restritoCBS de 11,3% com crédito sobre tudo que foi comprado com CBSQuem compra muito com tributo tende a compensar. Quem vende serviço com muita folha sente mais
Lucro PresumidoPIS e Cofins cumulativos, 3,65%, sem créditoCBS de 11,3%, descontando o crédito das comprasÉ o regime com o salto mais visível, sobretudo em serviços, porque folha de pagamento não gera crédito
Simples Nacional, tributo no DASPIS e Cofins dentro da guiaContinua na guiaO cliente empresa só aproveita como crédito o que você pagou no DAS. Na venda B2B, isso pesa contra você na negociação
Simples Nacional, IBS e CBS por foraNão existiaPaga a CBS fora do DAS e transfere crédito cheioFica mais competitivo para vender a empresas, com mais controle, mais obrigação e mais pressão no caixa
Resumo das regras da LC 214/2025 e das Resoluções CGSN 190 e 191/2026. A lei prevê reduções para alguns setores: 60% para serviços de saúde e de educação, entre outros, e 30% para profissões intelectuais regulamentadas. Confirme o enquadramento da sua empresa com a contabilidade.

Para quem está no Simples, a escolha tem data. A opção de pagar IBS e CBS fora do DAS no primeiro semestre de 2027 vai até 30 de outubro de 2026, segundo o Comitê Gestor do IBS. Quem já fez a escolha ganhou um número novo para refazer a conta, e pode desistir entre 3 de novembro e 20 de dezembro. A decisão se apoia no perfil de quem compra de você: se a maior parte da receita vem de outras empresas que tomam crédito, a opção por fora tende a proteger o preço. Se vem do consumidor final, a guia única costuma continuar fazendo sentido.

A conta que precisa entrar no plano de 2027

Faça a conta

Uma empresa de serviços no Lucro Presumido que vende para outras empresas. Mesmo faturamento de R$ 100 mil por mês, cobrado do cliente, antes e depois:

Hoje: PIS e Cofins de 3,65% sobre o faturamentoR$ 3.650
Hoje: folha e despesas sem créditoR$ 64.350
Hoje: compras de fornecedores com tributoR$ 20.000
Hoje: lucro antes do IR (12% da receita)R$ 12.000
2027, mesmo preço de R$ 100 mil: CBS de 11,3% calculada por foraR$ 10.153
2027: crédito da CBS embutida nas comprasR$ 2.031
2027: lucro antes do IR (7,5% da receita)R$ 7.528
Reajuste necessário para voltar aos R$ 12 mil5,0%
O faturamento ficou igual e a margem caiu de 12% para 7,5%. Quase 40% do lucro desapareceu sem nenhuma venda a menos.
Exemplo ilustrativo, com números redondos e premissas simplificadas: fornecedores mantêm o preço, ISS e IR ficam fora da conta, e o cliente é do Lucro Real. Troque pelos seus números com a sua contabilidade.

Tem um segundo lado nessa conta, e ele muda a conversa com o cliente. Se ele está no Lucro Real, hoje paga R$ 100 mil e aproveita 9,25% de crédito, então o custo dele fica em R$ 90.750. Em 2027, com o reajuste de 5%, o custo dele, já descontado o crédito da CBS, fica em R$ 94.319. Para ele, o aumento real é menor do que o número na nota fiscal. Seu comercial precisa saber fazer essa conta na frente do cliente, senão vai dar desconto para não perder o contrato.

O que levar para a mesa de planejamento com os líderes

  • Margem por linha, refeita com a CBS. Cada produto, serviço e carteira de clientes tem uma mistura própria de folha, compras e perfil de comprador. A média da empresa esconde quais linhas viram prejuízo em janeiro.
  • Tabela de preço calculada por fora. A CBS vem destacada na nota, separada do preço. A tabela de 2027 precisa nascer sem tributo, com a CBS somada em cima, e o time comercial precisa entender a diferença.
  • Contratos que atravessam a virada. Contrato de 12 ou 24 meses assinado hoje vai ser faturado com outra carga. Sem cláusula de reequilíbrio tributário, a diferença sai da sua margem.
  • Fornecedores olhados pelo crédito. O fornecedor do Simples que ficou no DAS transfere menos crédito. O mais barato na cotação pode sair mais caro depois do crédito.
  • Meta do comercial em margem. Se o time continuar sendo cobrado só por faturamento, vai vender bem a linha que dá menos resultado e vai negociar desconto para fechar.
  • Caixa no primeiro trimestre. Mais tributo destacado e crédito que leva tempo para ser compensado pedem uma previsão de caixa mês a mês para janeiro, fevereiro e março.
  • Um indicador no ritual mensal. Margem de contribuição por linha, olhada com os líderes todo mês, a partir de janeiro. É ela que avisa cedo se o preço precisa de ajuste.
O que o número não diz
  • A alíquota ainda depende do Senado, que pode confirmar ou alterar o cálculo até 15 de dezembro. Até lá, o planejamento trabalha com 11,3% como cenário base.
  • A LC 214/2025 prevê uma redução de 0,1 ponto percentual na alíquota da CBS em 2027 e 2028, e o IBS entra em fase de teste. A alíquota efetiva pode ficar ligeiramente diferente do número de referência.
  • A conta do exemplo é simplificada. Empresas com regime específico, setores com redução de alíquota, importação ou venda para o governo, que tem um redutor de 44,2% definido pelo TCU, precisam de simulação própria.
  • Os prazos do Simples foram alterados mais de uma vez em 2026. Confirme a data no Portal do Simples Nacional antes de decidir.
Empresa é feita de dados, e é neles que estão as decisões que fazem o negócio crescer sem depender de você.
Autodiagnóstico

Três perguntas para levar à próxima reunião com os seus líderes:

  1. Você sabe hoje a margem de cada linha de produto ou serviço, e qual delas fica no vermelho com 11,3% de CBS?
  2. A sua tabela de preços de 2027 já foi calculada por fora, ou o time vai descobrir em janeiro?
  3. A meta do seu comercial em 2027 está escrita em faturamento ou em margem?

Falar com a equipe MARES

De onde veio o dado

TCU, acórdão do plenário de 28 de outubro de 2026 (processo TC 006.529/2026-7), noticiado pela ConJur e pela Agência Estado

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