Da Revolução Industrial à IA, as empresas foram fatiando a venda em caixinhas. A história e os dados mostram por que o próximo passo é organizar a empresa pelo fluxo da receita.
Por Marcelis Pereira · 1 de outubro de 2026 · 3 min de leitura
Em 1900, uma área cuidava da venda. Hoje, em muita empresa, são oito: marketing, marketing digital, growth, pré-vendas, vendas, customer success, SAC e RevOps. Cada uma nasceu para resolver um problema real da sua época. Somadas, viraram o problema.
A minha posição, e eu assumo publicamente: o setor de marketing vai virar setor de estratégia de receita. Para explicar por quê, vale olhar 250 anos de história da gestão.
A contagem é uma leitura minha da história da gestão, e não uma estatística. O desenho, porém, é claro: por quase 200 anos a escada sobe devagar, e nos últimos 25 ela dispara.
O resto da semana vai para gestão de negócio, cadastro de dados e tarefa interna. Quanto mais caixinhas o cliente atravessa, mais tempo a empresa gasta explicando o cliente para ela mesma. Em maio de 2021, o Gartner chamou de barreira ao crescimento da receita os silos que passam o cliente de uma área para outra, cada uma com sua tecnologia, seu processo e sua equipe. A resposta do mercado foi o RevOps, que no organograma virou mais uma área.
Pela primeira vez em 250 anos, a tecnologia permite juntar em vez de separar. A alavanca é a produtividade de cada pessoa. Num estudo com 5.179 atendentes publicado pelo NBER, quem trabalhou com IA generativa resolveu 14% mais atendimentos por hora, e os iniciantes ganharam 34%. A McKinsey estima que cerca de 75% do valor da IA generativa se concentra em quatro áreas, e marketing e vendas é uma delas. Na prática, um marketing que exigia cinco ou seis competências diferentes pode funcionar com duas pessoas de múltiplas competências e IA.
Estratégia de receita é o setor que cuida do fluxo inteiro: inteligência de mercado, marketing e comercial, com uma meta de receita só e pessoas que operam com IA. Todo negócio existe para vender uma solução. Drucker escreveu isso em 1954, em The Practice of Management: só existe uma definição válida para o propósito de um negócio, criar um cliente. Quem discorda costuma lembrar que o mesmo Drucker escreveu, em 1973, que o marketing existe para tornar a venda desnecessária. Isso só prova que a venda não cabe numa caixinha do organograma.
Salesforce, State of Sales, 5ª edição, pesquisa com 7.775 profissionais de vendas, divulgada em dezembro de 2022
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