A formalização avançou sete vezes mais rápido que a informalidade na última década. E o negócio formal dura mais, porque o CNPJ transforma faturamento em histórico, e histórico em acesso a crédito.
Por Marcelis Pereira · 30 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Existe uma diferença silenciosa entre dois empreendedores que faturam o mesmo valor por mês. Um deles consegue provar isso, o outro não. Dez anos depois, os dois negócios não se parecem em nada.
A proporção de negócios com CNPJ dentro do total saiu de 28,5% para 34,7%. E há um dado sobre durabilidade que diz muito: 88% dos formalizados já tocam o negócio há mais de dois anos, contra 76% dos informais.
Do lado informal, 80% não recolhem nada para a Previdência. Isso quer dizer operação sem nenhuma cobertura em caso de doença, acidente ou afastamento, e sem nada acumulado para o futuro.
Para quem toca o negócio sozinho, esse é o risco que costuma passar despercebido até o dia em que acontece. E quando acontece, para o negócio junto, porque o dono é a operação inteira.
O CNPJ é só a porta de entrada. O que muda o jogo é o que vem depois: nota fiscal emitida, movimentação bancária separada da pessoa física, contrato assinado, declaração entregue.
Cada uma dessas coisas cria histórico. E é o histórico que o banco olha quando você pede crédito, que a empresa grande olha quando avalia um fornecedor novo, e que o comprador olha quando precisa de nota.
Crescer não é crescer no susto, é crescer com previsibilidade. E previsibilidade começa quando o negócio deixa de existir só na cabeça do dono e passa a existir nos números, onde qualquer um consegue verificar.
Sebrae, pesquisa Empreendedorismo Informal Sob a Ótica da PNAD Contínua, série de 2015 a 2025, divulgada em 9 de setembro de 2026
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