Coluna da Marcelis

CEO brasileiro gasta 57% da agenda no curto prazo. E você?

Os CEOs brasileiros dedicam 57% da agenda a assuntos de curto prazo, aponta a PwC. Veja como o dono tira o urgente da frente e recupera tempo.

Por Marcelis Pereira · 21 de outubro de 2026 · 3 min de leitura

Numa conversa de mentoria desta semana, um empresário me disse uma frase que escuto com frequência: a empresa cresceu, o time aumentou, e ele continua apagando o incêndio do dia. Ele sabe o que precisa decidir para os próximos meses. Só não sobra hora.

Quando a empresa cresce no fôlego do dono, a agenda se enche de urgência. Tudo passa por você, nada anda sem você, e o que é importante mas não grita fica para a semana que vem. Foi assim que a empresa cresceu e passou a sufocar quem está no comando.

O que a pesquisa da PwC mostra sobre a agenda

57%
da agenda do CEO brasileiro vai para assuntos de menos de um ano. Só 11% vão para horizontes de cinco anos ou mais. A média global é 47% e 16%
PwC, 29ª Global CEO Survey, 4.454 CEOs em 95 países e territórios, campo de 30/09 a 10/11/2025, página 20, publicada em janeiro de 2026

A mesma pesquisa mostra que, nas empresas privadas sem fundo de investimento por trás, os CEOs dedicam 51% da agenda ao curto prazo, contra 39% nas empresas listadas em bolsa. E tem um detalhe que me chamou a atenção: os CEOs que dizem ter a sobrevivência da empresa no médio e longo prazo como a pergunta mais urgente são justamente os que mais gastam tempo com o curto prazo. A PwC chama isso de tirania do urgente e recomenda reinventar o calendário.

A pesquisa ouviu CEOs de empresas de vários tamanhos. A leitura de que o dono de uma empresa média vive algo parecido é minha, e é o que eu vejo toda semana nas conversas com empresários.

Por que a agenda do dono vira refém

Quando a decisão mora só na cabeça do dono, toda dúvida da equipe vira pergunta para ele. A empresa não tem onde olhar sozinha, então chama você. Cada pergunta parece pequena, e o dia inteiro vai embora respondendo.

Nesta semana vi o caminho contrário acontecendo em duas empresas. Numa, a equipe responsável pelos anúncios e o dono combinaram um dia e um horário fixos para o relatório de resultados, e uma parte pequena da verba foi separada só para testes. Na outra, o time comercial passou a ser remunerado por uma regra clara, ligada a metas e a clientes que permanecem. Nos dois casos, a decisão deixou de depender da memória e do humor do dono, e passou a depender de um número combinado.

  • Dia e hora fixos para olhar os números. Uma vez por semana ou a cada quinze dias, sempre no mesmo horário, com a equipe levando o relatório pronto.
  • Poucos números, escolhidos antes. Entre três e cinco indicadores. Sem isso, a reunião vira debate de opinião.
  • Uma fatia da verba só para teste. Com regra escrita de quando ampliar e quando cortar, para ninguém precisar perguntar a você.
  • Limites de decisão por escrito. Até que valor a equipe aprova sozinha, e em que situação precisa chamar o dono.
  • Uma hora por semana para o longo prazo. Bloqueada na agenda e tratada como compromisso com cliente, que ninguém desmarca.

O ar volta quando a decisão sai da sua cabeça

Agenda cheia de urgência é sinal de que as decisões ainda moram só na cabeça do dono.

O ar não volta trabalhando mais. Volta quando as decisões se apoiam em dados que a equipe enxerga sem precisar de você. Empresa é feita de dados, e é neles que estão as decisões que fazem o negócio crescer sem depender do seu fôlego. Crescer não é crescer no susto, é crescer com previsibilidade. Se quiser descobrir quais decisões da sua empresa ainda dependem só de você, o Diagnóstico MARES começa exatamente por aí. Fale comigo em maresconsultoria.com.br.

De onde veio o dado

PwC, 29th Global CEO Survey (janeiro de 2026), página 20

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O próximo passo

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