Coluna da Marcelis

Sua empresa paga em dia e mesmo assim perde gente boa. Existe explicação

Estar financeiramente saudável não segura ninguém. As pessoas saem por falta de direção, de desenvolvimento e de liderança preparada, e isso custa mais caro que salário.

Por Marcelis Pereira · 31 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

Uma das conversas mais difíceis que eu tenho com dono de empresa começa assim: eu pago em dia, pago acima da média da região, e mesmo assim perco os bons.

A frase vem carregada de injustiça, e ela é sincera. Só que ela parte de uma premissa que já não se sustenta.

Salário em dia é o mínimo, não o diferencial

Pagar corretamente é o piso do contrato, não é um benefício. Ninguém fica numa empresa por gratidão de receber o combinado. As pessoas ficam por outras razões, e saem por outras razões.

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funcionários ouvidos, e as recompensas mais valorizadas passaram a ser as que dão estabilidade e proteção
Gartner, agosto de 2026

Chama atenção o que perdeu força nessa mesma pesquisa: férias, equilíbrio entre vida e trabalho e diferenciação individual de salário valem menos do que valiam. Ganhou peso tudo que protege a pessoa de um susto financeiro e tudo que sinaliza futuro.

Os três motivos que eu mais encontro

Quando eu converso com quem saiu, e não com quem ficou, os motivos se repetem:

  • Não enxergava para onde ia. Nenhuma conversa sobre o próximo passo, nenhuma clareza do que precisaria fazer para crescer ali
  • Parou de aprender. Ficou bom no que fazia, ninguém propôs nada além, e a pessoa entendeu que dali não sairia mais nada
  • O chefe direto não estava preparado. Esse é o mais comum de todos, e o mais caro

O terceiro merece atenção especial. Muita gente boa não sai da empresa, sai do gestor. E o gestor quase nunca é mau, ele só nunca foi formado para liderar. Foi promovido porque era o melhor técnico.

A conta que ninguém faz

Perder um bom profissional custa a vaga aberta por meses, o tempo da equipe cobrindo o buraco, o conhecimento que foi embora com ele, o cliente que percebeu a diferença, e a mensagem que fica para quem continua.

Some isso e compare com o custo de formar o gestor dele. A diferença entre as duas contas costuma ser constrangedora.

Por onde começar nesta semana

Escolha três pessoas que você não quer perder. Marque uma conversa de trinta minutos com cada uma, sem pauta de tarefa, com três perguntas: o que te faz ficar aqui, o que te faria sair, e o que você quer estar fazendo daqui a dois anos.

Você vai ouvir coisas que não estavam na sua conta. E vai ter tempo de agir, o que não acontece quando a informação chega pelo pedido de demissão.

Uma primeira versão desta ideia saiu na minha coluna Oxigênio Empreendedor, no Jornal Paraná Centro: Por que empresas da região estão perdendo bons profissionais, mesmo sendo financeiramente saudáveis?.

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Se este dado ajuda alguém que você conhece, manda para essa pessoa.

O próximo passo

Dado bom não muda empresa. Decisão muda.

A Consultoria Empresarial da MARES entra na sua operação para transformar o que você já mede em decisão de rotina, com meta de crescimento acordada em contrato.