IA na empresa não é bate-papo. Veja como usar dados, contexto e três ações concretas para decidir melhor e crescer com previsibilidade.
Por Marcelis Pereira · 3 de setembro de 2026 · 5 min de leitura
Tem muito empresário usando inteligência artificial como um Google mais educado. Pergunta uma coisa, lê a resposta, fecha a aba. No dia seguinte, repete tudo de novo.
Isso não é usar IA. Isso é passar o tempo.
Eu apliquei um diagnóstico recente com um grupo de dez empresários e o fator mais frágil apareceu no mesmo lugar de sempre: decisão. Não é falta de coragem. É falta de dado organizado, de planejamento e de visão ampla do próprio negócio. É justamente aí que a IA muda alguma coisa de verdade, quando ela sai do bate-papo e vira construção.
Eu sou estatística de formação. Leio pesquisa, leio relatório, leio documento de mercado. Sempre li. O problema é que eu gastava horas entrando em site atrás de site, quase tudo em inglês, para descobrir se tinha novidade.
Hoje eu tenho uma rotina agendada: todo dia de manhã a minha IA garimpa os sites, os artigos e os blogs que eu costumo acompanhar, inclusive relatórios de grandes consultorias globais. Para ela não existe barreira de língua. Ela filtra o que faz sentido para o meu mercado, extrai a reflexão principal e ainda me entrega o link do conteúdo original, porque ela já sabe que eu sou chata com fonte.
O mesmo vale para tudo que se repete. Minhas propostas comerciais eu não escrevo mais. Faço uma reunião de trinta minutos com um roteiro de perguntas estratégicas, a IA lê a conversa inteira e monta o documento base. Contrato, ata de reunião, follow-up, compromisso que eu prometi enviar. Cada cliente tem o seu ambiente separado, com o histórico ali.
Ela também simula cenário antes de você gastar esforço. Isso é preparar decisão, e preparar decisão é metade do trabalho de quem lidera.
Um cliente meu me mandou um painel lindo. Três cenários financeiros para o ano, do jeitinho que eu ensino: pessimista, realista e otimista.
Ele nem tinha lido o que mandou.
A IA estava decretando a falência dele. No cenário pessimista, ele fecharia o ano devendo R$ 480 mil. No realista, R$ 320 mil. No otimista, R$ 200 mil.
Os dados eram reais. As informações eram verdadeiras. Faltou uma palavra: sazonalidade. Ele subiu três meses de movimento, a IA entendeu que aquilo era o comportamento padrão do negócio e projetou o ano inteiro em cima disso. Só que o mercado dele funciona como casa de veraneio. Passa boa parte do ano no vermelhinho e o fim de ano paga as contas.
A IA não errou por burrice. Ela respondeu exatamente ao que recebeu.
E aqui vai um cuidado que eu repito sempre: não jogue dado sensível da sua empresa em IA gratuita. O que você coloca ali não te pertence.
Se você está corrigindo a IA a toda hora, o problema não é ela. Você está dando pouco contexto.
A IA é uma criança inocente. Se você mandar bater a cabeça na mesa, ela bate. Ela vai assumir que você sabe o que está pedindo e vai fazer exatamente aquilo. Por isso a gente precisa ser muito inteligente na qualidade do pedido.
Um truque simples: antes de mandar ela fazer, pergunte como ela faria. "Eu preciso trazer novos clientes para a minha distribuidora nessa região. Que tipo de campanha você faria?" Você testa o raciocínio dela e testa o seu.
E contexto se acumula. Território de atuação, público, oferta, preço, posicionamento, tom de voz, o que você nunca diria. Guarde isso num lugar fixo, um manual da sua marca que a IA consulte sempre. Sem isso, em três conversas ela se perdeu e você está explicando tudo de novo.
Num encontro ao vivo, eu peguei o site e o CNPJ da empresa de um dos participantes. Não pedi nada a ele. Não conversamos antes sobre o negócio.
Em poucos minutos veio o mapa dos concorrentes prováveis, o espaço vazio que existe naquele mercado, os níveis de consciência do público sobre o produto, os gaps de conteúdo, o que os concorrentes estão fazendo que funciona e pode ser reproduzido, e os assuntos que ninguém está ocupando mas que interessam ao cliente dele.
Depois foi aos sites públicos de reclamação e trouxe as dores e as objeções reais de quem compra naquele segmento. Coisas do tipo "vou pagar e vai chegar faltando item".
Achou anúncio de concorrente rodando com link quebrado. E achou uma contradição dentro da própria casa: num lugar a empresa dizia ter 20 anos de mercado, em outro dizia 30.
Pense nisso com calma. Se eu descubro tudo isso em dois cliques, o seu concorrente descobre também.
Quando eu fecho um ciclo de trabalho com empresário, o desafio é sempre o mesmo, e é pequeno de propósito.
Pegue o seu ponto forte e o seu ponto fraco. Pegue os números que você não pode deixar de olhar. Pegue aquele problema que você ainda não conseguiu resolver dentro da sua empresa e use a IA para resolver ele.
Agora escreva três ações. Não trinta, não vinte, não dez. Três. Cada uma com objetivo real, prazo, responsável pela execução e um número que prove que o resultado foi alcançado.
O foco nunca é colocar IA na empresa. O foco é usar a IA para a empresa ficar melhor. Se você só encaixa mais uma ferramenta na operação, você não resolveu produtividade, não resolveu performance e continua decidindo no "eu acho que".
O valor está em quem consegue juntar as três: inteligência humana, inteligência de dados e inteligência artificial. Essas empresas ficam imbatíveis, porque andam à frente do que o mercado está fazendo. É Pessoas, Dados e Gestão, sempre as três.
Crescer não é crescer no susto, é crescer com previsibilidade.
Na MARES, é isso que a gente constrói junto com você no Diagnóstico MARES, o mesmo caminho que sustenta a marca de 24% de crescimento em até 12 meses. Se você quer parar de decidir no escuro, comece por lá em maresconsultoria.com.br. Se preferir falar comigo, o WhatsApp oficial é (41) 99248-8092.
Empresa é feita de dados, e é neles que estão as decisões que fazem o negócio crescer sem depender de você.
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