Análise de Mercado

Desemprego em 5,3%: contratar na sua empresa ficou mais caro e você talvez ainda não tenha percebido

O IBGE divulgou o menor desemprego da série e o maior número de gente trabalhando com carteira assinada. Para quem contrata, isso tem um preço, e ele não aparece na folha de imediato.

Por Marcelis Pereira · 29 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

Todo mês sai um número de desemprego e a maioria dos donos de empresa passa direto. Faz sentido: parece assunto de economista. Só que este aqui mexe com uma linha que você olha toda semana, que é a sua folha de pagamento.

5,3%
taxa de desocupação no trimestre encerrado em julho de 2026
IBGE, agosto de 2026

O país chegou a 103,3 milhões de pessoas ocupadas, o maior contingente já registrado, com um milhão de pessoas a mais só no trimestre. E o emprego formal também bateu recorde: 39,4 milhões de empregados com carteira assinada no setor privado.

O que isso significa na prática para você

Quando o desemprego cai, a fila de candidatos encurta. Não a fila de currículos, que continua enorme, mas a de gente boa disponível. A pessoa que você quer contratar hoje provavelmente já está empregada em outro lugar, e sair de onde está passou a ser uma decisão dela, não uma necessidade.

Isso muda três coisas na sua empresa ao mesmo tempo, e nenhuma delas aparece com esse nome no seu sistema:

  • O tempo para preencher uma vaga aumenta, e cada semana de vaga aberta é trabalho que sobra para quem ficou.
  • O valor pedido sobe, porque quem está empregado só troca por algo melhor.
  • A sua gente boa vira alvo, já que a mesma escassez que te atrapalha atrapalha o concorrente, e ele vai procurar onde tem.

O detalhe que quase ninguém comenta

Na mesma divulgação, a informalidade subiu de 37,2% para 37,5%, o que dá 38,8 milhões de trabalhadores. Emprego formal recorde e informalidade em alta ao mesmo tempo quer dizer que o mercado está absorvendo gente por todos os lados. É bom para o país e é apertado para quem contrata, porque a concorrência por profissional preparado não vem só das empresas parecidas com a sua.

O rendimento médio real habitual ficou em R$ 3.762, com alta de 3,3% em doze meses, e a massa de rendimento chegou a R$ 383,5 bilhões, também recorde. Tem mais dinheiro circulando na mão de quem trabalha, o que ajuda quem vende para o consumidor final e pressiona quem precisa contratar.

A pergunta que vale mais que o número

Você sabe quanto custa, em dinheiro, cada mês que uma vaga fica aberta na sua empresa?

A maioria dos empresários responde isso por sensação. E é aí que mora o problema, porque sem esse número você não consegue decidir se vale pagar mais para preencher rápido, se vale formar alguém de dentro ou se aquela vaga precisa mesmo existir. Decisão sem dados é achismo, e achismo em folha de pagamento custa caro por muitos meses seguidos.

Se a sua empresa ainda não mede tempo médio de preenchimento de vaga, custo de reposição e giro por área, esse é um bom lugar para começar. São três indicadores simples, que você monta numa planilha em uma tarde, e que mudam completamente a conversa sobre contratação dentro da sua empresa.

De onde veio o dado

IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, trimestre móvel de maio a julho de 2026, divulgada em 27 de agosto de 2026

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O próximo passo

Dado bom não muda empresa. Decisão muda.

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