O IBGE divulgou o menor desemprego da série e o maior número de gente trabalhando com carteira assinada. Para quem contrata, isso tem um preço, e ele não aparece na folha de imediato.
Por Marcelis Pereira · 29 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Todo mês sai um número de desemprego e a maioria dos donos de empresa passa direto. Faz sentido: parece assunto de economista. Só que este aqui mexe com uma linha que você olha toda semana, que é a sua folha de pagamento.
O país chegou a 103,3 milhões de pessoas ocupadas, o maior contingente já registrado, com um milhão de pessoas a mais só no trimestre. E o emprego formal também bateu recorde: 39,4 milhões de empregados com carteira assinada no setor privado.
Quando o desemprego cai, a fila de candidatos encurta. Não a fila de currículos, que continua enorme, mas a de gente boa disponível. A pessoa que você quer contratar hoje provavelmente já está empregada em outro lugar, e sair de onde está passou a ser uma decisão dela, não uma necessidade.
Isso muda três coisas na sua empresa ao mesmo tempo, e nenhuma delas aparece com esse nome no seu sistema:
Na mesma divulgação, a informalidade subiu de 37,2% para 37,5%, o que dá 38,8 milhões de trabalhadores. Emprego formal recorde e informalidade em alta ao mesmo tempo quer dizer que o mercado está absorvendo gente por todos os lados. É bom para o país e é apertado para quem contrata, porque a concorrência por profissional preparado não vem só das empresas parecidas com a sua.
O rendimento médio real habitual ficou em R$ 3.762, com alta de 3,3% em doze meses, e a massa de rendimento chegou a R$ 383,5 bilhões, também recorde. Tem mais dinheiro circulando na mão de quem trabalha, o que ajuda quem vende para o consumidor final e pressiona quem precisa contratar.
A maioria dos empresários responde isso por sensação. E é aí que mora o problema, porque sem esse número você não consegue decidir se vale pagar mais para preencher rápido, se vale formar alguém de dentro ou se aquela vaga precisa mesmo existir. Decisão sem dados é achismo, e achismo em folha de pagamento custa caro por muitos meses seguidos.
Se a sua empresa ainda não mede tempo médio de preenchimento de vaga, custo de reposição e giro por área, esse é um bom lugar para começar. São três indicadores simples, que você monta numa planilha em uma tarde, e que mudam completamente a conversa sobre contratação dentro da sua empresa.
IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, trimestre móvel de maio a julho de 2026, divulgada em 27 de agosto de 2026
Se este dado ajuda alguém que você conhece, manda para essa pessoa.
Análise de MercadoRegistrar quem decide o quê e com base em qual número parece burocracia. A projeção da Gartner aponta o contrário: é o que deixa a decisão mais rápida.
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