Durante todo o século passado, chegar ao topo levava décadas. Essa regra se inverteu, e o que mudou não foi o tamanho do capital, foi a velocidade de aprender.
Por Marcelis Pereira · 31 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Tem um dado do MIT Sloan que vale mais pela leitura do que pelo número em si. Ao longo de todo o século vinte, as maiores empresas americanas foram ficando cada vez mais velhas, o que fazia todo sentido: construir posição de mercado levava décadas de capital, marca e distribuição.
A partir de 2005, essa curva virou. As maiores empresas passaram a ser, em média, mais jovens do que a geração anterior no mesmo posto. Algo que não tinha acontecido em cem anos.
E o valor somado dos unicórnios europeus equivale a cerca de 10% do valor dos americanos. Dois blocos econômicos parecidos em tamanho, com resultados muito diferentes na renovação de quem está no topo.
A explicação que o MIT dá é velocidade de iterar. Quanto tempo a empresa leva entre ter uma ideia, testar, medir o resultado e corrigir o rumo. Quem fecha esse ciclo em uma semana está competindo com quem fecha em um ano, e ganha por cansaço.
Traduzindo para a empresa média brasileira: quem ameaça você tem menos a ver com caixa e mais com ritmo. O concorrente perigoso é o que testa doze coisas no tempo que você leva para testar uma.
Na minha experiência de consultoria, o gargalo raramente é falta de ideia. É falta de duas coisas: ninguém sabe qual número aquela ideia deveria mexer, e ninguém tem alçada para decidir sem passar pelo dono.
Sem o primeiro, você testa e não sabe se deu certo, então o teste vira opinião na reunião seguinte. Sem o segundo, cada correção de rota espera a sua agenda, e a sua agenda é o gargalo mais caro da empresa.
Escolha uma decisão que você toma com frequência, defina qual indicador ela deveria mexer, dê a alguém o poder de mudar aquilo sem te perguntar, e combine uma data para olhar o número. Um ciclo fechado, do começo ao fim, ensina mais sobre a sua empresa do que três meses de planejamento.
Crescer não é crescer no susto, é crescer com previsibilidade. E previsibilidade se constrói repetindo ciclos curtos até que a empresa aprenda mais rápido do que o mercado muda.
MIT Sloan School of Management, apresentação de Andrew McAfee, codiretor da MIT Initiative on the Digital Economy, na conferência anual da MIT IDE de 2026, publicada em 18 de agosto de 2026
Se este dado ajuda alguém que você conhece, manda para essa pessoa.
Análise de MercadoRegistrar quem decide o quê e com base em qual número parece burocracia. A projeção da Gartner aponta o contrário: é o que deixa a decisão mais rápida.
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