Descubra em qual dos cinco estágios de maturidade sua empresa está e por que a decisão certa na hora errada pode quebrar o negócio.
Por Marcelis Pereira · 7 de setembro de 2026 · 6 min de leitura
Eu escuto quase toda semana a mesma frase, de empresários de setores completamente diferentes: "Marcelis, eu fiz tudo o que me mandaram fazer e o negócio não saiu do lugar."
E eles fizeram mesmo. Contrataram gente, montaram time, compraram sistema, investiram em conteúdo. Na maior parte das vezes o problema não estava na decisão. Estava no momento em que ela foi tomada.
Uma decisão certa na hora errada também é um erro. E ela quebra empresa.
A Demografia das Empresas do IBGE mostra que, das empresas empregadoras nascidas em 2017, apenas 37,3% continuavam ativas cinco anos depois. Ou seja, cerca de 60% não chegaram lá (IBGE, Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo 2022).
Boa parte delas não morreu por falta de venda. Morreu porque tomou a decisão de uma empresa que ela ainda não era.
Quando eu entro em uma empresa para fazer um diagnóstico, antes de olhar faturamento eu procuro uma coisa só: em que estágio de maturidade aquele negócio está.
São cinco, e eu gosto de nomear como o mar nomeia. Cais, o estágio de validação. Maré, o estágio de impulso. Travessia, o estágio de crescimento. Rota, o estágio de consolidação. Oceano, o estágio de maturidade.
Toda empresa passa por todos. E dentro de cada um deles você repete os mesmos pilares: quais são os seus dados, qual é o papel da liderança, como acontece o marketing e a venda, como a gestão sustenta isso. Aqui já deixo um combinado. Quando eu digo marketing, estou dizendo venda. Marketing existe para que a venda aconteça, ponto final.
O erro mais caro que eu vejo é o empresário se espelhar em uma empresa que está três estágios à frente, copiar o que ela faz e depois se perguntar por que o dinheiro sumiu.
No cais, você ainda está atracado. Está testando o produto, descobrindo quem é o público, procurando se existe demanda real para aquilo. O trabalho aqui é experimentar rápido, barato e com muitas estratégias ao mesmo tempo.
O maior erro desse estágio é querer fazer tudo perfeito antes de colocar na rua. Você não tem certeza de nada ainda. Coloque na rua, teste e ajuste.
Na maré, você já vendeu. Já sabe que funcionou, já sabe que existe público. Agora é hora de repetir, ampliar o que deu certo, organizar a venda e captar prova social. O objetivo é converter mais para o mesmo público com o mesmo produto.
E é aqui que eu mais vejo empresa se perder. A pessoa começa a inventar portfólio, quer montar uma esteira inteira, quer atingir público novo com produto novo. Resultado: ela passa a ter dois negócios em vez de um, e dispersa a energia dos dois. Você vende tapete, faz sentido vender o acessório do banheiro. Não faz sentido vender mamão. É uma loja, não é um shopping.
No estágio três você já tem produto validado, venda em volume, público reconhecido e posicionamento definido. É a hora de estruturar indicadores, decidir que números coletar e armazenar, e começar a formar braços, porque sozinho já não dá mais conta.
E aqui eu preciso contrariar um discurso que virou moda. Você já ouviu que dono tem que sair da operação. Cuidado. Até o estágio três, é você que sustenta as decisões do seu negócio. Se você simplesmente sai, o negócio perde a característica que ele veio construindo.
O que fazer é diferente disso. Pegue aquilo que exige conhecimento técnico e que suporta algum erro, modele e passe para alguém. Mas nunca tire da sua mão as decisões financeiras, as de contratação e as de investimento em tecnologia e infraestrutura. Você sai da linha de operação aos poucos. Da linha de decisão, ainda não.
Um detalhe que quase ninguém conta: a maior parte das falências não acontece no estágio dois. Acontece no três. Porque aqui existe caixa. E com caixa na mão vem o investimento por intuição, a ferramenta comprada sem processo e sem gente para operar, o Frankenstein de sistemas dentro da empresa e a prioridade dada só para o curto prazo.
Tem também quem tente escalar ou captar capital sem ter um modelo replicável e testado. Um empresário que acompanho tentou transformar a loja dele em franquia sem esse modelo pronto. Voltou do estágio três para o dois e nós passamos seis meses só corrigindo para ele não quebrar. Para provar que o seu negócio é replicável, você precisa de métrica consistente. É aqui que os dados fazem diferença de verdade.
No estágio quatro o produto está validado e existe caixa para o próximo salto. É a hora de treinar o time, trazer consultoria, descentralizar a decisão e fazer planejamento estratégico. O maior perigo dessa fase é ter dinheiro e não ter plano, porque aí você gasta no lugar errado.
É também onde a cultura fica explícita, porque mais gente começa a decidir dentro da empresa.
Uma empresa que acompanho cresceu 44% nos últimos dez meses. O entrave dela nunca foi comercial, era organização de gestão. Eles promoviam pessoas que estavam ali desde o começo e não investiam no desenvolvimento dessas pessoas. A empresa cresceu, o time não acompanhou e a operação começou a travar. Eu tinha um gestor com medo do volume de dinheiro que ele movimentava.
Nem sempre o que trouxe você até aqui te dá o próximo salto.
Você chega ao estágio três na garra, na energia, na madrugada virada. Mas nenhuma empresa passa para o quatro sem método. Daí em diante é planejamento, técnica e profissionalismo.
No oceano você inova de verdade, aumenta o LTV do cliente, amplia portfólio para o mesmo público e diversifica mercado. O erro aqui é inovar sem método e continuar centralizando a decisão, porque inovação vem da diversidade.
E vale para qualquer estágio: olhe para fora. A Kodak morreu com a inovação dentro de casa, por medo. De que adianta você ter o melhor chapéu se ninguém usa mais chapéu?
Pare agora e escreva em um papel qual é o estágio da sua empresa hoje. Depois olhe as três últimas decisões grandes que você tomou e pergunte se elas eram decisões do seu estágio ou do estágio de outra pessoa.
Se você está até o começo da travessia, não persiga plano estratégico ainda. Faça um bom plano de ação, com meta curta, indicador claro e resultado medido, para você errar e acertar rápido. Do estágio três avançado em diante, sem plano estratégico você investe fora de ordem e perde dinheiro.
Esse é o trabalho que eu faço em Pessoas, Dados e Gestão. Crescer não é crescer no susto, é crescer com previsibilidade. Empresa é feita de dados, e é neles que estão as decisões que fazem o negócio crescer sem depender de você.
Se você quer saber com precisão em que estágio o seu negócio está e qual é a decisão certa para agora, comece pelo Diagnóstico MARES, o mesmo caminho que levou empresas a até 24% de crescimento em até 12 meses. Fale comigo em maresconsultoria.com.br.
Mentoria O Poder dos Dados, Turma Extraordinários, 17/08/2026. O dado de sobrevivência vem da Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo 2022, do IBGE, divulgada em 5 de dezembro de 2024
Se este dado ajuda alguém que você conhece, manda para essa pessoa.
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